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Archive for novembro \22\UTC 2008

O Letra Livre é um software educativo livre de apoio a aprendizagem da lingua portuguesa. Esta ferramenta pedagógica surgiu a partir de pesquisas desenvolvidas pelo Laboratório de Tecnologia Educacional e Software Livre (LATES) da Universidade Estadual do Ceará, especificamente do Curso de Mestrado em Educação. O software tem como objetivo trabalhar os conteúdos do letramento com as crianças das séries iniciais do ensino fundamental. Especificamente, possibilita aos professores exercitar com os alunos a ortografia de palavras da língua portuguesa. Por enquanto ainda não está disponível para download, mas pode ser acessado pela internet, pelo seguinte endereço: Letra Livre. Depois de acessar o link do letra livre, clique na porta para iniciar o jogo, como mostra a figura ao lado. Depois em um dos pinguins alunos e escolha uma das figuras previamente cadastradas. São diferentes categorias, desde dígrafos, encontros consonantais, cada imagem de pinguim-aluno significa uma categoria. Neste mini-tutorial, cliquei na figura do cachorro, em seguida a criança digita a palavra e da um enter (se acertar a palavra fica verde). Se errar as diversas tentativas aparecem na tela, mas precisa clicar no campo das letras para poder digitar até acertar, existe um limite de até no máximo 4 tentativas. Aproveitem e utilizem esse valioso recurso na educação infantil e na alfabetização. A única desvantagem encontrada é porque é um jogo online, necessita ter uma conexão de internet, mas conversando particularmente com a equipe existe interesse em colocar em algum repositório. Se isto ocorrer divulgo posteriormente. Sugestões e comentários sobre este recurso pedagógico pode ser enviada para lates@necad.uece.br. O tutorial mais explicado você encontra aqui: http://www.lates.ced.uece.br/letralivre/manual.html




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Como prometido, foram dois artigos publicados no SBIE 2008, este foi apresentado como Poster, entitulado, O uso do software livre na mediação pedagógica de alunos com dificuldades de aprendizagem: O Projeto C@lculendo por Sinara Socorro Duarte Rocha e amiga de toda hora, Luzier Veríssimo de Negreiros. Na verdade, o Calculendo nasceu no curso de Midias em Educação (especialização-UFC), no qual participo. Eis o artigo na integra:

Resumo: O presente estudo analisa o uso do software livre na mediação de alunos com dificuldades de aprendizagem. A pesquisa foi realizada em uma escola pública de Fortaleza, com alunos de 9 a 13 anos de idade que apresentavam histórico de fracasso escolar. A metodologia envolveu a pesquisa qualitativa por meio da análise dos saberes e necessidades das crianças no contexto social e educativo ao qual ela pertence, por meio de atividades virtuais e concretas que envolvesse as habilidades cognitivas de seriação, conservação de quantidades e processo de construção da escrita. Os resultados preliminares apontam que o computador trouxe benefícios para aprendizagem e para o desenvolvimento cognitivo dos aprendizes.

1. Introdução
Aprender a ler e escrever exige habilidades e apresenta novos desafios à criança com relação ao seu conhecimento de linguagem, sendo portanto, uma tarefa árdua, complexa e difícil especial para aquelas que apresentam déficits cognitivos e/ou dificuldades de aprendizagem.
A partir da década de 80, com o advento e democratização das TICs – Tecnologias de Informação e Comunicação na educação começaram a surgir pesquisas acerca dos benefícios da utilização do computador na aprendizagem, destacando-se os estudos de Moram (2008), Valente (1999), dentre outros. No entanto, apesar dos esforços governamentais em democratizar o acesso as TICs na escola, o que se observa é a prática incipiente do computador na prática educativa. Muitas escolas continuam arraigadas a práticas pedagógicas tradicionais que pouco ou quase nada contribuem para um aprendizado significativo, perpetuando o estigma da repetência e da evasão. Tal fato motivou o questionamento inicial da pesquisa: Qual a contribuição das TICs, em especial do software livre na aprendizagem de alunos com histórico de fracasso escolar e dificuldades de aprendizagem?
Na tentativa de responder este questionamento, idealizou-se o Projeto C@lculendo: uma proposta de intervenção nas dificuldades de aprendizagem, proporcionando aos alunos envolvidos novas possibilidades educativas utilizando o computador como recurso complementar na aprendizagem. O principal objetivo foi analisar a influência do uso do software livre na mediação de alunos com dificuldades de aprendizagem e histórico de fracasso escolar. Como objetivos específicos delinearam-se: a) resgatar o interesse pela leitura, melhorando a construção da escrita; b) contribuir no processo de construção do código lingüístico e no desenvolvimento de raciocínio-lógico; c) apontar estratégias para a utilização pedagógica das novas tecnologias em sala de aula, conscientizando educadores sobre sua importância; d) diminuir os índices de multirepetência resgatando a auto-estima dos alunos; e) prevenir o fracasso escolar; f) Refletir sobre o papel da informática educativa na educação formal em especial do software livre.
2. Referencial Teórico
Estudos acerca do potencial educativo do computador no atendimento à crianças com déficits de aprendizagem, já são conhecidos desde a década de 70. Uma destas experiências pioneiras foi protagonizada por Lea Fagundes (1992), que desde 1973, coordena o LEC – Laboratório de Estudos Cognitivos, que investiga a interação do computador e sua relação com as dificuldades de aprendizagem, em especial de Matemática. (FAGUNDES, MARASCHIN, 1992)
Em âmbito nacional cresce o interesse de estudiosos acerca dos benefícios do software livre na educação, destacando-se a Universidade Estadual do Ceará e a Universidade Federal de Santa Catarina. Da mesma forma, o MEC tem investido em softwares livres, acreditando no seu potencial educativo, a exemplo da distribuição nacional Linux Educacional, sistema operacional sugerido para laboratórios de informática educativas das escolas públicas nacionais.
Também Nunes et al (2008), tem estudado os efeitos da adoção de software livres em instituições educacionais e na formação dos docentes. A esse respeito, comentam “o software livre pode constitui-se além de uma economia de gastos, um instrumento de melhoria do desempenho discente e docente”. Da mesma forma, Raabe et al (2008) perceberam o potencial e a adequação dos softwares livres educativos à prática pedagógica em sua pesquisa.
Oliveira e Fisher (2007), concordam que a utilização da tecnologia da informática e de softwares educativos no processo educativo-formal é uma alternativa para sanar as dificuldades de aprendizagem. Neste sentido, Oliveira (1996), esclarece que o professor deverá ser capaz de identificar quais os déficits cognitivos que a criança possui e suas dificuldades no processo de aprendizagem, e a partir destes conhecimentos desenvolver uma proposta pedagógica onde o uso do computador será um recurso pedagógico utilizado, objetivando o interesse do aluno pela aprendizagem dos conteúdos acadêmicos e as habilidades mentais necessárias para a realização das atividades propostas.
De fato, a utilização da tecnologia no ambiente escolar contribui para essa mudança de paradigmas, sobretudo, para o aumento da motivação em aprender, pois as ferramentas de informática exercem um fascínio em nossos alunos.

3. Metodologia
Trata-se de uma pesquisa qualitativa do tipo descritiva, pois intenciona investigar o uso do software livre na mediação de alunos com dificuldades de aprendizagem. O instrumento de coleta de dados foi a entrevista e a observação. A experiência está sendo realizada em uma escola pública municipal periférica de Fortaleza. A amostra foi composta de 18 crianças na faixa etária de 7 a 13 anos, com histórico de fracasso escolar, multirepetência e dificuldades de aprendizagem.
A seleção da criança (participante da pesquisa) foi realizada da seguinte maneira: inicialmente solicitou-se a Secretaria escolar, a relação de alunos multirepetentes dos 3º e 4º anos, nas disciplinas de Português e Matemática. De posse deste registro, solicitou-se das professoras destes alunos, um parecer individualizado de abordando as dificuldades de aprendizagem apresentadas. Em seguida, foi montado um cronograma de atendimento que prévia um atendimento em Sala de Apoio Pedagógico (SAP) e Laboratório de Informática Educativa (LIE).
O atendimento iniciou-se em abril de 2008 com previsão de término para fevereiro de 2009, portando, trata-se de uma pesquisa em desenvolvimento. Desde então os alunos são atendidos em duplas e individualmente, duas vezes por semana, por uma professora especialista em Alfabetização e outra professora especialista em Informática Educativa no contra-turno escolar, totalizando cerca de quatro horas semanais.
A proposta de trabalho envolveu análise dos saberes e necessidades das crianças no contexto social e educativo ao qual ela pertence, por meio de atividades virtuais e concretas que envolvesse as habilidades cognitivas de seriação, conservação de quantidades e processo de construção da escrita descrito por Ferreiro (1986).
As disciplinas envolvidas foram Matemática e Linguagem sendo que o principal recurso utilizado foram jogos educativos em material concreto e jogos virtuais por meio do computador, destacando-se os softwares livres Gcompris e TuxMath. Ambos são softwares livres, rodando em plataformas Linux, MacOSX, Windows.
O Gcompris é um software livre de caráter multidisciplinar, pois apresenta cerca de 80 atividades diferenciadas na área de Linguagem, Matemática, Ciências, Geografia, Artes, Leitura e Entretenimento. Por possuir uma interface chamativa, colorida é ideal para as crianças na faixa etária de 2 a 10 anos de idade. Por meio deste software os aprendizes foram estimulados a aprender cores, quantidades, além de desenvolver diversas habilidades: raciocínio lógico-matemático, percepção, análise e síntese visual, associação, auxiliando e motivando o processo de aprendizagem.
O Tuxmath foi outro software livre utilizado para a aprendizagem das operações fundamentais (adição, subtração, multiplicação e divisão). O software apresenta o mesmo estilo do clássico jogo do videogame Atari, Missile Command. O objetivo é impedir que as bombas atinjam as construções de uma cidade sob ataque. No entanto, o interessante do jogo é a capacidade de divertir ensinando a tabuada de forma lúdica, pois as bombas só serão destruídas se o jogador acertar contas aleatórias, sendo que a dificuldade vai crescendo à medida que o nível aumenta.
A avaliação consistiu na observação sistemática da apropriação do conhecimento pelos alunos, de forma qualitativa, levando em consideração os seguintes aspectos: interesse, participação, envolvimento e realização das atividades sugeridas.
4. Resultados e Conclusões Preliminares
Organizar e implantar abordagens educacionais que vão ao encontro das necessidades dos educandos, desenvolvendo estratégias de ensino centradas no aprendiz, enfatizando a autonomia, acomodando a diversidade e maximizando as oportunidades para o sucesso e as conquistas pessoais é condição sine qua non do professor na contemporaneidade.
Por tratar-se de um projeto em desenvolvimento e devido ao curto espaço de tempo (um semestre letivo) têm-se resultados parciais. Preliminarmente foram observadas melhoras significativas no aprendizado dos alunos. Os professores relataram que perceberam mudanças na sala de aula, onde as dificuldades relacionadas à leitura e à escrita começaram a diminuir, assim como problemas de relacionamento e auto-estima. Os resultados esperados a curto prazo são a melhoria no desempenho dos alunos em relação: à leitura, à escrita e ao raciocínio lógico-matemático, inserção da tecnologia da informação no contexto escolar através da divulgação e da utilização do computador, em especial do software livre como recurso didático e redução no índice de reprovação.
Utilizou-se o software livre em todas as atividades e ele foi bem aceito pelo grupo e adequado para as atividades. As crianças anteriormente não eram usuárias de computador e passaram a utilizar as ferramentas livres sem dificuldades. A mediação estabelecida pelo software educativo viabilizou o despertar da autonomia na busca do conhecimento.
Por fim, ressalta-se que embora o acesso às Tecnologias de Informação e Comunicação seja, ainda restrito as classe sociais privilegiadas, torna-se necessário criar ambientes de aprendizagens computacionais que, sobretudo utilizem metodologias inovadoras como instrumentos adequados para recuperar as chances perdidas por crianças com insucesso escolar, fruto de uma sociedade de exclusão.
5. Referências
FERREIRO, E.; TEBEROSKY, A. A. Psicogênese da Língua Escrita. Porto Alegre: Artes Médicas, 1986
FAGUNDES, L. C. ; MARASCHIN, Cleci . A linguagem LOGO como instrumento terapêutico das dificuldades de aprendizagem: possibilidades e limites. Psicologia Reflexão e Crítica, v. 5, n. 1, p. 19-28, 1992
MORAN, M. Novas Tecnologias na Educação. Disponível em http://www.eca.usp.br/prof/moran/uber.htm. Acesso em 22/ 02/2008.
NUNES, J.B.C et al.. Levantamento de Softwares Educativos Livres. In: XIV Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino, Porto Alegre, 2008.
OLIVEIRA, E.C.P.; FISCHER, J. Tecnologia na Aprendizagem: A Informática como alternativa ao ensino. Revista de divulgação técnico-científica do ICPG. Vol. 3 n. 10 – jan.-jun./2007
OLIVEIRA, Vera Barros de (Org.). Informática em Psicopedagogia. São Paulo: Editora SENAC, 1996.
RAABE et al. Uma experiência do uso do Software Livre GCOMPRIS na aprendizagem de crianças do Ensino Fundamental. In: XIV Workshop de Informática na Escola (WIE). Belém do Pará, 16 a 18 de julho de 2008. Sociedade Brasileira de Computação

Como referenciar: ROCHA, SSD; NEGREIROS, L.V. O uso do software livre na mediação pedagógica de alunos com dificuldades de aprendizagem: O Projeto C@lculendo. In: Anais do XIX SBIE – Simpósio Brasileiro de Informática Educativa, Fortaleza, 2008

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Natal Livre! Participe desta campanha!


Gostaria de convidar você para um natal diferente. O Natal Livre é um evento sobre tecnologia e cultura livre. Venha aprender mais sobre informática usando Softwares Livres como Linux, BrOffice.org, Firefox, dentre outros. Se pretende deixar o seu computador sem vírus ou fazer concursos públicos e descobrir outras vantagens destes softwares, não perca esta oportunidade. São palestras básicas ministradas por profissionais de vários ramos.

Data: 13 de Dezembro de 2008 (sábado).
Local: SESC/ SENAC – Rua Boris, 90 – Iracema (ao lado do Centro Cultural Dragão do Mar).
Horário: 08:00 às 12:00 e de 13:30 às 17:00.
Inscrição: 02 brinquedos (uma bola e uma boneca – não precisa ser a barbie) + 1Kg de alimento não perecível. Mas fique a vontade para doar uma quantidade maior!

Sorteio de Brindes!
Informações e inscrições: http://natallivre2008.blogspot.com/
Conto com a sua presença!

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Para aqueles que gostam ou trabalham com educação infantil, uma das maiores dificuldades é a compreensão do código escrito (alfabetização) É uma etapa árdua do aprendizado infantil e uma das principais chagas educacionais de nosso país é o analfabetismo. O software Abc-blocks é uma alternativa para os professores pois apresenta um alfabeto móvel, no qual o aprendiz pode ao escrever palavras variadas. A principal vantagem é a infinita quantidade de letras e a possibilidade de escrever qualquer palavra. A desvantagem é que não existem acentos, quando a criança erra não tem como voltar, a letra precisa ser descartada fora do campo visual, e a letra grande demais dificulta a escrita de palavras grandes como no exemplo acima, bicicleta, tive dificuldade de encaixar, tendo que aproximar o máximo possível as letras. Mais quem tiver interesse de instalar este software livre (funciona apenas o ambiente Linux) basta dentro do Konsole digitar:

su (para virar root e vai pedir a senha)
apt-get install abc-blocks (com hifem mesmo)
se não der certo, precisa digitar: apt-get update (para atualizar seus pacotes, e depois repita o comando de instalação)
maiores informações na página do Projeto Classe
http://classe.geness.ufsc.br/index.php/Abc-blocks

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Este artigo foi apresentado ao SBIE – Simpósio Brasileiro de Informática Educativa, como poster sendo aprovado com o seguinte título: Desenvolvendo Projetos Audiovisuais Educativos em Plataforma Livre, que versa sobre o projeto Minha Escola, Minha Vida de autoria da Prof. Liduina Vidal, posteriormente adaptado por mim para a realidade local da EMEIF Nossa Senhora do Perpetuo Socorro. Os anais infelizmente não estão disponiveis onlime, por isso disponibilizo aqui o artigo na integra e algumas fotos do projeto:

Resumo: Este artigo descreve a experiência acerca do Projeto Minha Escola, Minha Vida que teve como principal objetivo sensibilizar jovens em situação de alta vulnerabilidade social acerca de sua importância enquanto sujeito histórico-social e da escola como partícipe deste processo através das TICs em uma plataforma livre. Participaram alunos concludentes do ensino fundamental de uma escola pública de Fortaleza/CE que durante três meses produziram um projeto audiovisual em formato multimídia. A pesquisa contribuiu para desmistificar a utilização de ferramentas livres no ensino e justificar a utilização do software livre como alternativa à exclusão digital.

1. Introdução
A área da educação é um ótimo espelho do tamanho da exclusão, da discriminação, da desigualdade e da injustiça no Brasil. A repetência e a evasão, são exemplos contundentes desta afirmação. O Brasil figura entre as piores taxas de reprovação e evasão escolar do mundo segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (TAKAHASHI, 2006).
Segundo dados do MEC (IBGE, 2006), apenas 56,2% dos jovens na faixa etária de 14 a 16 anos concluíram o ensino fundamental na idade esperada. No Nordeste, no mesmo período, este índice cai para 37,4%. Já os concludentes do ensino médio, a taxa nacional declinou ainda mais, pois somente 37,9% dos jovens até 19 anos conseguiram este feito. No Nordeste, analisando o mesmo indicador, a taxa de conclusão do ensino médio foi considerada em 2006, a menor do país com apenas 20,9% de seus jovens ostentando um diploma de segundo grau aos 19 anos.
Simplesmente, a escola continua perpetuando o mesmo modelo excludente de sociedade no qual está inserida. Assim é comum encontramos dentro das unidades escolares, alunos com baixa auto-estima, que não se interessam pelos estudos, gerando indisciplina, evasão, repetência, violência dentre outros problemas. A maioria abandona os estudos precocemente para ajudar no sustento doméstico, sofrendo novas formas de exclusão: a digital e a intelectual, pois a maioria dos postos de trabalho, desde os mais simples, exigem pessoas mais qualificadas e com o domínio mínimo de informática.
A exclusão digital é a mais nova ferida social, e acirra ainda as já gritantes desigualdades existentes, como destaca Castells (2000 p. 45), “a questão da conectividade, ou da falta dela, é uma questão real e problemática, pois as pessoas que não possuem acesso às TICs apresentam uma fragilidade cada vez mais considerável no mercado de trabalho.”
Diante desta realidade, tomou-se a iniciativa de se realizar um trabalho voltado à inserção de jovens de baixa renda do ensino fundamental ao mundo da tecnologia, através do software livre. Assim, nasceu o projeto denominado Minha Escola, Minha Vida, que teve como objetivo principal sensibilizar jovens em alta situação de vulnerabilidade social acerca de sua importância enquanto sujeito histórico-social e da escola como partícipe deste processo através do uso das TICs em uma plataforma livre. Delinearam-se como objetivos específicos: a) identificar-se como sujeito de sua história e da escola; b) conhecer fatos sobre sua vida acadêmica e dos demais colegas, registrando e expondo fatos ocorridos no ambiente escolar; c) produzir um projeto audiovisual em formato multimídia através das ferramentas livres; d) refletir sobre sua vivência escolar, apontando os pontos positivos e negativos, bem como suas perspectivas de futuro; e) Incluir-se social e digitalmente utilizando o software livre no ambiente escolar. Pretendeu-se, com este relato, contribuir para redução de alguns dos problemas que afetam a escolarização do jovem na atualidade: a evasão escolar e a exclusão digital.
2. A opção pelo software Livre
Inicialmente a opção pelo software livre (SL) deve-se a realidade das escolas públicas que não dispõe de recursos financeiros para regularização de software, elemento fundamental em políticas públicas de inclusão digital aliada à sua filosofia libertária. De fato, países desenvolvidos como a França e emergentes como China, já encorajam o uso de plataformas livres em instituições escolares. No Brasil, o governo do Paraná, conseguiu reduzir os custos de implantação de Laboratórios de Informática das escolas públicas por meio da adoção de softwares livres (SEED, 2005).
Experiências como do governo paranaense estão sendo replicadas para outros estados, destacando-se São Paulo, com os Telecentros e o Rio Grande do Sul por meio da Rede Escolar Livre. Atualmente o governo do Estado do Ceará e a Prefeitura Municipal de Fortaleza, adoram o software livre como padrão nos laboratórios de informática educativa locais. A escolha de softwares livres traz inúmeras vantagens frente ao software proprietário, como argumenta Silveira (2003, p.38) destacando-se os fatores “macroeconômico, de segurança, de autonomia tecnológica, da independência de fornecedores e democrático”.
A filosofia do Software Livre é baseada segundo Silveira (2003 p. 45) é “no princípio do compartilhamento do conhecimento e na solidariedade praticada pela inteligência coletiva conectada na rede mundial de computadores”.
Corroborando com este pensamento Nunes et al (2008, p.15) acreditam que “as quatro liberdades propostas pelo software livre – conhecer, copiar, distribuir e modificar – favorecem sua adoção do contexto da escola pública.” Desta forma, a utilização de softwares livre em situações de ensino aprendizagem, representa a possibilidade de inclusão digital de professores e alunos, visto que o docente pode adequar o software livre às suas necessidades e de seus alunos. De fato, têm crescido o interesse das comunidades de mantenedores acerca do uso educativo do software livre. Um exemplo disso são as distribuições Edubuntu, Kelix, Pandorga, Debian Edu, Linux Educacional, versões customizadas da GNU/Linux de cunho eminentemente educativo. Neste estudo, optou-se por utilizar a distribuição Kurumin 7.0 por ser a padrão dos LIES de Fortaleza.
3. Método
Este estudo trata-se de uma pesquisa qualitativa, mediada pela metodologia da pesquisa-ação. O locus privilegiado da pesquisa foi a EMEIF Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, instituição pública educativa municipal, localizada no bairro Carlito Pamplona, zona periférica da capital alencarina, que apresenta graves problemas sociais como: altos índices de prostituição, consumo de drogas, violência doméstica, acidentes de trânsito e baixa escolaridade da sua população. A experiência foi desenvolvida no Laboratório de Informática Educativa – LIE da referida escola, no contra-turno escolar no período de dezembro de 2007 a fevereiro de 2008. A amostra foi composta por 57 jovens, na faixa etária de 14 a 17. Os critérios de inclusão foram: ser aluno regularmente matriculado na escola participante, especificamente no 9º ano, último ano do ensino fundamental.
A experiência foi desenvolvida em cinco etapas. A primeira etapa envolveu o planejamento do trabalho. Os formandos juntamente com as professoras planejaram o formato do projeto audiovisual que deveria a ser desenvolvido dentro dos recursos disponíveis. Como a escola não dispunha de uma filmadora nem similar, foi acordado uma apresentação em formato de slides. Ao final, foi produzido uma hipermídia digital com todas as apresentações em formato de álbum virtual. Ressalta-se que a escolha do tipo de mídia levou em consideração o fato de que todos os alunos possuíam aparelho de DVD e que havia interesse da maioria, em apresentar sua produção para os familiares, portanto seria a forma mais acessível e democrática de divulgação, enquanto que poucos tinham acesso a computadores conectados à Web.
A segunda etapa foi de pesquisa e produção textual. Os alunos foram motivados a pesquisar sobre sua vida acadêmica e a função social da escola, por meio de entrevistas com os pais e funcionários da escola. A terceira etapa foi a sessão de fotos. Optou-se por fotografar individualmente todos os formandos, funcionários da escola além dos fatos considerados mais relevantes dentro da trajetória escolar.
A quarta etapa foi a edição e elaboração da mídia audiovisual. Para criação, edição e ilustração do vídeo utilizaram-se as seguintes ferramentas computacionais livres: BrOffice Writer (editor de texto) BrOffice Impress (confecção de slides), Cinerella (edição de video), KolorPaint (Desenho), Gimp (editor de foto), Mozilla-Firefox (software de navegação na Web), além de fotos do arquivo particular da escola e dos alunos.
A quinta etapa foi a participação em oficinas de Inclusão Sócio-Digital, visando o domínio das ferramentas livres. Durante a experiência foi privilegiada a abordagem sócio-interacionista na qual cada participante foi sujeito de sua própria aprendizagem, destacando-se o “aprender fazer fazendo”, estimulando-se a aprendizagem cooperativa e colaborativa. O professor do LIE desempenhou a função de mediador do conhecimento, criando situações para que o aluno pudesse desenvolver suas potencialidades e construir sua autonomia na construção do conhecimento e no manuseio dos softwares livres.
4. Resultados Obtidos
Incluir-se digitalmente não significa apenas utilizar as ferramentas computacionais, mas principalmente ser co-autor de sua própria história de vida. O uso da tecnologia educacional livre neste caso, proporcionou aos atores em questão a possibilidade de tornarem-se partícipes de uma cultura da solidariedade e de aprendizagem colaborativa além de proporcionar uma nova oportunidade de escolarização. Segundo relato dos docentes, as atividades propostas possibilitaram melhoria significativa na auto-estima discente que se repercutiu diretamente no desempenho escolar, refletindo-se na redução da evasão escolar. Fato este explicado pela motivação extrínseca, pois a multimídia produzida seria compartilhada por outras pessoas além do professor, aliado ao fato de estar ligado à inserção da tecnologia da informação no contexto escolar e a utilização do computador como recurso didático.
Ressalta-se que esta experiência também contribuiu para desmistificar a utilização de ferramentas livres no ensino bem como justificar a utilização do software livre como alternativa a exclusão digital, pois apesar da grande maioria não possuírem conhecimento prévios acerca da utilização do Linux em ambiente doméstico e/ou educacional, não apresentaram dificuldades significativas na feitura das atividades.
5. Considerações Finais
Participar da sociedade de informação é um direito de todos. Sua democratização deve possibilitar que toda a população tenha acesso às novas tecnologias, utilizando-as em todo o seu potencial, incluindo o acesso à rede mundial de computadores, mas também permitindo a prática de transformação da sociedade e melhoria das condições de um determinado grupo ou comunidade. A aparente fragilidade das pequenas iniciativas, como a de Fortaleza têm mostrado a viabilidade da inclusão digital nas escolas brasileiras, o que reforça o discurso de que a implementação de uma escola de qualidade, que é igualitária, justa e acolhedora para todos, não é um sonho impossível.
6. Referências
CASTELLS, M (2000). A Sociedade em Rede. 3 ed. São Paulo: Paz e Terra.
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2006). Indicadores Sociais. Disponível em . Acesso em 30.07.2008
NUNES, J.B.C et al. (2008). Levantamento de Softwares Educativos Livres. In: XIV Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino, Porto Alegre.
SILVEIRA, S. A.(2003.). Software Livre e Inclusão Digital. São Paulo: Conrad Editora do Brasil.
SEED (2005). Projeto Rede Tecnológica Paraná Digital. Disponível em . Acesso em 28.09.2008
TAKAHASHI, F (2006). Brasil tem repetência maior que Camboja. Folha Online. 26/04/2006

Como referenciar: ROCHA, S.S.D. Desenvolvendo Projetos Audiovisuais Educativos em Plataforma Livre. Anais do XIX Simpósio Brasileiro de Informática Educativa, Fortaleza, 2008

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Kdenlive: editor de videos no linux

Kdenlive (pronunciado Kei-d’in-laive) é o Editor de Vídeo Não-Linear do KDE, e é também, bem, uma suite de edição de vídeo não-linear para o ambiente KDE. Para quem gosta ou usou o Movie Maker do Windows, eu particularmente, achei bastante parecido.
Segundo a Wikipedia “O projeto começou inicialmente por Jason Wood em 2002, é agora é mantido por um pequeno grupo de desenvolvedores. Kdenlive pretende ser o mais avançado editor de vídeo não-linear no GNU/Linux.Muito de sua documentação é baseado na versão 0.5, esperada a ser lançada em Abril de 2007. Como Kdenlive está atualmente em ativo desenvolvimento, é possível que algumas opções ou característivas sejam explicadas diferentemente aqui do que na versão que você esteja usando.” A seguir uma demonstração em video do Kdenlive:

Suas principais características são:
Edição em múltiplas faixas com uma linha de tempo e um número de faixas de audio e vídeo virtualmente ilimitado, mais facilidades para dividir audio e video de um clipe em múltiplas faixas
Suporte a um punhado de formatos de arquivo de video/audio, como MOV, AVI, WMV, MPG, XviD, FLV e qualquer outro formato suportado pelo ffmpeg
Pode gerar vídeos em vários formatos também, exportar para dispositivos DV, ou gravar em um DVD com capítulos e um menu simples
Renderização sem-bloqueio — você pode continuar trabalhando em um projeto ao mesmo tempo que é transformado em um arquivo de vídeo
Edição de vídeo DV e capacidade de captura. Suporte a HDV está sendo desenvolvido. Atualmente, vídeo HDV pode ser importado a um projeto, mas é convertido a resolução DV.
Suporte a tamanhos de tela 4:3 e 16:9, sistemas PAL e NTSC
Efeitos e transições podem ser usados com facilidade, e você mesmo pode até criar alguma transição wipe!
Ferramentas simples para criação fácil de clipes de cor, clipes de texto e clipes de imagem
Criação automática de apresentações de diretórios de imagens, com transições crossfade entre as imagens
Atalhos de teclado configuráveis e layout da interface
fonte: http://pt.wikibooks.org/wiki/Kdenlive/O_que_Kdenlive_%C3%A9

Muitas distros já oferecem o Kdenlive para pronta instalação. Para usar o Kdenlive seu sistema deve ter alguns outros softwares instalados da qual o Kdenlive depende:

* Criação de DVD precisa do dvdauthor
* Gravação de DVD precisa do K3B
* Previsualização de DVD precisa do Xine
* Captura Firewire precisa do DVgrab >= 2.0 e FFMpeg

Em muitos casos, o instalador vai instalar o software necessário automaticamente. Se qualquer desses estiver faltando, Kdenlive vai avisá-lo. Apenas feche o Kdenlive, instale o software que falta e reinicie o Kdenlive.
O comando para instalar é: sudo apt-get update ; sudo apt-get install kdenlive
Aguardem que estou preparando um tutorial do Kdenlive para português, mas quem tem pressa ja existe um em inglês no site oficial

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Fortaleza, a noiva desposada do Sol, recebe o maior evento de informática educativa do país, o SBIE – Simpósio Brasileiro de Informática Educativa com o tema: “Tecnologias e Mídias na Prática Educativa”. Aconteceu nos dias 12, 13 e 14 de novembro de 2008, na Faculdade Farias Brito, rua Castro Monte, 1364. Particularmente, apresentarei três trabalhos, sendo dois porters: O software livre na mediação pedagógica de alunos com dificuldade de aprendizagem: o projeto C@lculendo e Projetos de Inclusão Sócio-Digital em Plataforma Livre, além de um relato de experiência acerca do projeto O Lugar onde moro é assim: experiência de escrita colaborativa e autoria discente na web um projeto de cunho internacional protagonizado pela renomada professora Gladis Santos, no qual participei em nível regional… A apresentação se refere a experiência local do mesmo.

Também recebemos a ilustre visita do renomado professor e defensor do software livre, idealizador do Projeto SLEducacional que também apresentou uma palestra entitulada: Educação com liberdade: o uso do software livre em ambientes educacionais. Maiores informações no site oficial do projeto SL Educacional

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