Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘revista a rede’

Vejam, o artigo publicado na Revista A rede nº50, agosto de 2009, que fala um pouco do SL educacional, grupo no qual faço parte.

Digite software livre, na busca por Educação:Com os programas de código aberto, professores e alunos aprendem mais e melhor.

Por Áurea Lopes

Estão postos, hoje, dois grandes desafios para o efetivo avanço da Educação básica no Brasil. O primeiro é quebrar a resistência de muitos professores – a maioria vinda de faculdades onde pedagogia não rima com tecnologia – em aceitar os computadores como seus assistentes na missão de formar cidadãos autônomos. O segundo é mostrar, aos professores já dotados dessa compreensão, que existe vida inteligente além do Windows.

A rejeição – medo? – ao computador vai sendo vencida, meio na marra, porque os professores não podem mais se negar a viver no mundo dos seus alunos. Ou porque começa a ficar difícil preparar aulas e provas sem uma pesquisa na internet. Mas ainda há muito a ser feito quando se trata do uso do software livre (SL), hoje um  privilégio de poucos. E não porque os programas de código aberto e acesso gratuito sejam produtos inacessíveis ou inviáveis tecnicamente. Ao contrário. Estão à mão, na web, nas máquinas enviadas pelo governo federal às escolas públicas, disponíveis para serem usados, adaptados para qualquer tipo de aplicação educacional. E sem que se gaste um centavo.
O problema é que muita gente não sabe disso. A começar pelos responsáveis por assinar os diplomas dos educadores. Em um levantamento realizado no ano de 2008,  com 23 instituições de ensino superior, em cursos de Pedagogia, Matemática e Letras, pouco mais de 10% dos currículos trazia Informática Educativa como disciplina obrigatória. Os dados, coletados por Sinara Duarte, pesquisadora de novas tecnologias da educação com ênfase em software livre, mostram também que apenas um curso de Matemática abordava SL; e apenas um curso de Letras abordava SL, dentro da disciplina de Fonética. “Muitos docentes se formam sem conhecer o uso pedagógico do computador e muito menos do software livre”, conclui Sinara.

É um absoluta incoerência, na opinião do professor Frederico Gonçalves Guimarães, coordenador do projeto Software Livre Educacional, utilizar um programa proprietário em Educação: “Educar significa preparar para a autonomia. E no mundo proprietário acontece o inverso, o usuário é dependente do dono da tecnologia”. O professor explica que o SL é educativo por essência: “Você pode abrir, mexer, ver como funciona. É um aprendizado, vira um laboratório”.

Outro benefício é que esses programas podem ser alterados e adaptados para as necessidades sempre que necessário, sem o usuário ter de pagar por isso, sem precisar esperar que o dono da tecnologia lance no mercado uma nova versão do produto. Por exemplo: a comunidade responsável pelo pacote de aplicativos de código aberto BrOffice já adaptou o seu corretor de textos às novas regras ortográficas do português, enquanto o Microsoft Word em português não tem prazo para ser atualizado. Guimarães cita ainda o caso da Suécia, país que tem três idiomas, um dos quais de pouca abrangência. “Os programas proprietários só contemplam os dois idiomas principais. Então eles adotaram o Linux e desenvolveram as aplicações no terceiro idioma”, conta o professor.

Além da liberdade de usar, a liberdade de copiar faz muita diferença – e gera significativa economia – nos projetos de âmbito público. Na cidade de Passo Fundo (RS), a distribuição Linux Kelix – Kit Escola Livre foi instaladas nas escolas da rede municipal. Marinez Severis, coordenadora de Informática Educativa e do Plano de Desenvolvimento Escola, da secretaria municipal de Educação, conta que a primeira reação dos professores foi de má vontade. “Eles estavam acostumados com o Windows. Mas depois que conheceram a ferramenta livre, adoraram. Porque era possível fazer muitas coisas, além da facilidade de copiar os programas, levar pra casa, instalar onde fosse. Acabou aquela amarra de ter que comprar uma licença para cada máquina ou a situação constrangedora de piratear”, diz Marinez.

“Para que o software livre se difunda no ambiente escolar, falta apenas aculturação”, alerta Peterson Danda, consultor em SL e especialista em implantação do Linux Educacional. Ele compara: “Mudar  do programa proprietário para o livre não é nada diferente de mudar do Windows XP para o Vista. É tudo diferente, mas você aprende. E quem começa já no SL não tem mais dificuldade do que quem começa em proprietário”.

Uma vez ultrapassada a barreira do desconhecimento, os resultados são animadores. A professora de matemática Lilian Ribeiro leciona na escola estadual Luciana de Abreu, em Porto Alegre (RS), que participa do projeto federal Um Computador por Aluno (UCA). Em 2007, a escola não tinha sequer laboratório de informática. Em 2008, chegou o notebook XO, onde estava instalado o programa Etoys, livre e gratuito (disponível no site http://www.squeakland. org), que estimula o raciocínio lógico e a criatividade.

“Eu nunca tinha mexido em um computador. Muitos alunos nunca tinham visto um computador. Aprendemos todos juntos”, lembra a professora, que usa o Etoys para alunos desde a 2ª série do Fundamental. “As crianças têm dificuldade de fazer abstrações. O software me encantou pela possibilidade de trabalhar os conceitos abstratos”, acrescenta. Lilian revela, orgulhosa, que, depois da chegada dos computadores à escola, alunos de 3ª e 4ª séries do Fundamental passaram a se interessar por SL a ponto de participar, nos dois últimos anos, dos fóruns especializados realizados em Porto Alegre.

Nem tudo são flores
No Brasil, um entrave sério à disseminação do software livre educacional é a questão do idioma. Existem milhares de aplicativos na web, mas poucos em português. Com essa preocupação, um grupo de educadores criou, em 2008, o projeto Software Livre Educacional, que funciona por meio de uma rede social aberta. O professor Guimarães explica que a proposta é organizar documentação e fazer tradução de SL, devolvendo o conteúdo como um valor agregado para o desenvolvedor: “Assim ele pode incorporar ao pacote e todo mundo será beneficiado”.

Dentro do projeto, foi traduzido o programa GCompris, que tem mais de cem aplicativos disciplinares, de caráter predominantemente lúdico. Ou seja, bastante adequado para uso na educação básica. “Nosso trabalho não é ensinar como usar o programa, qual tecla deve ser apertada. Mas sim ensinar o que o professor pode fazer com o Gcompris dentro da classe”, esclarece Guimarães. Em parceria o projeto Texto Livre, que dá suporte linguístico a comunidades de SL, foi feita, no ano passado, a tradução do Tuxpaint, programa para trabalho com imagens. “Fizemos a tradução dos carimbos para o português e ainda gravamos vozes de crianças brasileiras”, conta Daniervelin Renata Marques Pereira, coordenadora do Texto Livre, integrado por alunos do curso de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais.

A pesquisadora Sinara Duarte reconhece que cresceu o interesse das comunidades de programadores sobre SL – um exemplo disso são as distribuições Edubuntu, Kelix, Pandorga, Ekaaty, entre outros, todos já traduzidos. No entanto, ela fez uma pesquisa no banco de dados Scielo (www.scielo. org), biblioteca virtual que abrange periódicos científicos, e verificou que, entre os mais de 220 mil artigos catalogados, havia apenas quatro, em português, referindo-se ao uso do software livre na educação. “Temos um longo caminho a trilhar…”, avalia Sinara.

http://sleducaciona l.org
www.textolivre. org

Cooptado ao mundo livre

Um exemplo típico de aculturação ao mundo do software livre é o professor Luiz Carlos Neitzel, integrador de tecnologias do Núcleo de Tecnologia Educacional de Joinville (SC). Ele lecionou Educação Física por 12 anos, sempre com um olho na informática educativa. Em 2004, com a chegada do primeiro Linux Educacional nos equipamentos do ProInfo, ele “foi obrigado” a usar o SL: “Naquela época, não era tão fácil. O Linux ainda dependia de comandos, não era tão amigável”. Em 2008, com a versão 2.0, Neitzel começou a descobrir que podia fazer, no Linux, o mesmo que fazia no Windows.

“Tem aplicativos com recursos até mais estáveis, além de ser mais seguro – o que, em um ambiente escolar, é muito importante porque a garotada vai clicando, sem medo. Aí, se tiver um vírus, simplesmente não abre”. O professor aponta, ainda os pacotes gratuitos de excelente qualidade: “É só baixar. No mundo proprietário, os melhores programas são pagos”, ressalta.


NOVO Linux Educacional

O Ministério da Educação lançou, este ano, a versão 3.0 do sistema operacional Linux Educacional, que vem em todas as máquinas do ProInfo, programa do governo federal para fomentar o uso pedagógico da informática nas escolas públicas. Em ambiente gráfico KDE, a nova versão, mais estável, mais amigável, é baseada na distribuição KUbuntu 8.04. Traz atualizações de pacotes de aplicativos como o Desktop, a EduBar, a Ferramenta de Busca, o Repositório Debian de Conteúdos e o Live-CD. Para fazer o download. É importante ter um programa para gravação do arquivo em um CD como imagem ISO. Pode ser usado, por exemplo, o K3B. Após a gravação, o CD se torna um Live CD. Ou seja, o usuário pode testar o Linux Educacional sem precisar instalar no computador.

http://webeduc. mec.gov.br/ linuxeducacional

fonte: Revista Arede

Quem quiser ler a revista completa acesse aqui:

http://www.arede. inf.br/inclusao/ edicao-atual

Read Full Post »