Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘software livre’

olá amigos…

Pesquisando na web, encontrei mais uma dica de software livre que pode ser utilizado a serviço da educação. É o bibliolivre, software de gerenciamento de bibliotecas. O bibliolivre é desenvolvido pela UFRJ, portanto em PT-BR. Um manual de instalação é encontrado em

Segundo o  site oficial, O BIBLIVRE é uma modalidade de software livre capaz de proporcionar a inclusão digital, considerando-se que um grande número de bibliotecas públicas ainda não está informatizada, por questões técnicas e financeiras, e a maior parte do público que constitui o universo dos usuários finais das bibliotecas públicas, não está familiarizado com o uso de recursos das tecnologias atuais existentes nas bibliotecas mais modernas do mundo.

O projeto se caracteriza pelo desenvolvimento de programas livres ofertados, sem ônus, para bibliotecas que desejem se utilizar dessa tecnologia. O sistema é licenciado gratuitamente como LGPL – Lesser General Public License da Free Software Foundation, de maneira a permitir a sua difusão de uma forma ampla e garantindo a liberdade aos seus usuários para copiá-los, usá-los e redistribuí-los. Embora os programas tenham detentores de seus direitos autorais, a licença adotada visa garantir que os usuários tenham o direito de obter os códigos fonte dos programas para estudá-los, modificá-los e redistribuí-los.

O BIBLIVRE enfatiza as rotinas e sub-rotinas dos principais procedimentos realizados em bibliotecas, tais como: a pesquisa; a circulação, mediante o controle do acesso para consulta, a reserva, o empréstimo e devolução de exemplares do acervo; a catalogação de material bibliográfico, de multimídias e objetos digitais, inclusive com controle de autoridades e de vocabulário; além da rotina de controle do processo de aquisição de novos itens para o acervo.

A interface de administração do BIBLIVRE ainda permite a gerência da tipologia de usuários, das permissões de acesso e uso do sistema, das configurações do servidor Z39.50 e das características do programa.

A manutenção do sistema prevê a reindexação das bases de dados, a transferência de registros entre bases de dados e a geração de cópia de segurança da base de dados principal.

Há uma relação de relatórios pré-formatados disponíveis para impressão ou gravação de arquivos gerados pelo sistema.

O BIBLIVRE é, sem dúvida, uma grande contribuição tecnológica alinhada com a filosofia do software livre, que vem ampliando seu espaço diante do software de código fechado. O Biblivre, atualmente, encontra-se instalado em mais de 1500 bibliotecas em todo o território nacional.

Pré-Requisitos

Hardware

Os requisitos mínimos de hardware para obter um desempenho razoável são:

  • Processador Intel Pentium III 800MHz ou equivalente;
  • Memória RAM de 512 Mbytes.

É recomendável um Pentium IV 1.4GHz ou equivalente e memória RAM de 1Gbytes. O espaço em disco de 200Mbytes é suficiente para instalar os programas e manter uma base sem anexos (base de +/- 50.000 Registros). Os requisitos são diretamente proporcionais à demanda que se espera, quanto maior o volume de dados e o acesso simultâneo, maior devem ser os requisitos de equipamento.

O Biblivre roda em sistema operacional Windows, Linux, Unix ou compatível. Sendo o Windows 2000, XP ou Superior. Não é possível instalar o BibLivre no Windows ME, 98SE, 98 ou anteriores, pois são incompatíveis. O Biblivre pode ser instalado em qualquer sistema onde os seguintes programas funcionem adequadamente:

  • Java Virtual Machine 1.6 ou superior*
  • Apache Tomcat 5.5 ou superior*
  • PostgreSQL 8.1 ou superior*

* Superior desde que o sistema mantenha uma compatibilidade com os sistemas anteriores

O BibLivre funciona simultaneamente com outros programas. Todavia se muitos programas estiverem abertos ao mesmo tempo pode ocorrer lentidão de processamento.

Instalação manual para linux

Infelizmente é muito complicado fazer uma instalação automatizada para linux sem saber qual é a distribuição devido a um grande número de variáveis, ao mesmo tempo um numero crecente de pessoas vem pedindo uma atualização em linux.

Para disponibilizar o software o mais rapdamente para aqueles que precisam, disponibilizamos este guia de instalação para todos aqueles que não podem esperar uma solução mais adequada.

1) programas necessários

– Postgres 8.x (identificamos que algumas versões para o linux entre a 8.0 e a 8.1 tem problemas, o PL não funciona direito)
– tomcat 5.5 ou 6.0
– java JRE e/ou JDK ambas 1.6 ou superior

– O apache é necessário caso não queira utilizar a porta 8080 (juntamente com o conector para tomcat

os programas podem ser adquiridos no repositório de sua distribuição ou no site dos mantenedores
postgres: http://www.postgresql.org/ ou http://www.postgresql.org.br/
apache tomcat: http://tomcat.apache.org/
Java: http://www.sun.com/
apache: http://www.apache.org/

Os pacotes poden ser achados em:

apt-get – http://packages.debian.org/stable/allpackages
RPM – atraves da sua ditribuição
tgz – http://www.linuxpackages.net

Fonte, downloads e manuais na pagina oficial do projeto: http://www.biblivre.org.br/

Anúncios

Read Full Post »

Olá amigos, tenho uma descoberta primorosa! É o software Tríade, um RPG (software de simulação) para contribui para o aprendizado de História, destacando um momento especial da Humanidade: A revolução Francesa.

“Desenvolvido pelo grupo de pesquisa Comunidades Virtuais da UNEB tem criado um espaço diferenciado para formação de jovens do ensino médio, graduação e mestrado das áreas de educação, computação, arte, design, música e história na área de pesquisa e desenvolvimento em jogos digitais, contribuindo para fortalecimento da discussão em torno dos jogos eletrônicos que vem se constituindo em um fenômeno cultural.

O projeto é coordenado pela professora doutora Lynn Rosalina Gama Alves e financiado pela FINEP com bolsas de iniciação de pesquisa Junior, iniciação de pesquisa para alunos de graduação e mestrado pela FAPESB. O CNPQ apóia também com bolsas de iniciação de pesquisa para alunos de graduação.

Para saber mais sobre o Tríade acesso a URL http://www.comunidadesvirtuais.pro.br/triade.” Vejam o video:


O mais legal é que tem versão para linux e windows, e lógico, ser totalmente livre e gratuito. Não testei ainda, mas está recomendado no livro do prof. João Mattar (merece um post para isso!).

Link para download.

Read Full Post »

Olá amigos, lembram do Cesol 2008? Pois eh, teremos 2009 também. Vejam a chamada de trabalhos. Para quem não conhece é o Congresso Estadual de Software Livre, e uma das trilhas é educação e inclusão digital. È o maior evento do estado do Ceará e aos poucos está se tornando o maior, na área, no norte-nordeste. Participem!

Chamada de Trabalhos

A Equipe de Organização do Congresso Estadual de Software Livre – Ceará (CESoL-CE) tem o prazer de convidar a comunidade para contribuir com a sua programação. Membros das comunidades de Software Livre, estudantes de qualquer escola ou universidade, professores, profissionais e a comunidade em geral podem enviar suas propostas de palestras e minicursos envolvendo Software Livre.

O CESoL é um evento que vem se firmando como um dos maiores do Nordeste, servindo de integração entre os estados vizinhos. Ele tem como principais objetivos promover o uso do Software Livre, apresentando sua filosofia, seu alcance, avanços e desenvolvimento ao público em geral, assim como de suas áreas.

Durante os seus quatro dias de programação, o CESoL abrirá espaço para discussões sobre diversas áreas ligadas ao Software Livre, como Meta-reciclagem, Administração e Segurança de Sistemas, Desenvolvimento, Desktop, Economia Solidária, Ecossistema do Software Livre, Educação e Inclusão Digital, Gestão Pública e Software Público, Jogos, Multimídia e Cultura Digital.

1. Informações Gerais

O evento receberá propostas de palestras nas seguintes áreas temáticas:

  • Administração e Segurança de sistemas
  • Cultura Digital e Metareciclagem
  • Desenvolvimento
  • Desktop e Jogos
  • Educação e Inclusão Digital
  • Ecossistema do Software Livre

2. Envio de propostas

O envio de propostas deverá ser feito através do site do evento até o dia 27/09/2009. Antes de enviar sua proposta recomenda-se ler o manual dos proponentes [1], que contém dicas sobre o preenchimento da proposta, de forma a facilitar o processo de avaliação e aumentar as chances de aceitação das palestras. Propostas que não observem as considerações deste manual estão propensas a terem sua avaliação prejudicada.

3. Seleção das propostas

Após o período de envio de propostas, todas que foram enviadas serão avaliadas por uma comissão de avaliadores e serão classificadas seguindo os critérios padrão do papers [2]. O número de propostas classificadas depende unicamente da quantidade de espaço que teremos durante o evento.

O Congresso Estadual de Software Livre – Ceará (CESoL-CE) solicita a compreensão para o fato de que a aceitação de propostas de palestras não implica no custeio de viagens e hospedagens.

O e-mail para contato com a organização do CESoL-CE é cesol@cesol.org. Certifique-se de que você receberá e-mails deste endereço e leia-os.

4. Datas importantes

  • Prazo final para envio de propostas: 27 de setembro
  • Notificação das propostas aceitas: 17 de outubro;
  • Divulgação da programação preliminar do Congresso: 22 de outubro.

Em caso de dúdivas na operação do site, contactar webmaster@cesol.org.

Você também pode sugerir um palestrante aqui [3].

[1] http://wiki.softwarelivre.org/Papers/ProponentManualPt

[2] http://wiki.softwarelivre.org/Papers/ReviewerManualPt

[3] http://cesol.org/node/5

Read Full Post »

Dando continuidade, a nossa série de artigos mensais, publicados na Revista Espirito Livre, capitaneados por João Fernando, do Espírito Livre, vem se tornando uma das mais conceituadas “fanzines” na área de TI, com foco em software livre do país. Parabéns a todos pela competência e qualidade da revista. Na coluna educação temos, o relato de projeto educativo que foi apresentado no SBIE – Simposio Brasileiro de Informática na Educação (maior evento de informatica educativa do país), aqui teremos o artigo completo, com detalhes de implementação, mostrando a viabilidade técnica e pedagogica do software livre na escola. Boa Leitura!

Implementando projetos educativos inovadores com software livre

by Sinara Duarte

Fonte: ROCHA, SSD. Implementando projetos educativos inovadores com software livre. Revista Espirito Livre. ano 1. n.5 agosto/2009. Edição Online disponível em <http://revista.espiritolivre.org&gt; Acesso em DD/MM/AAAA.

Toca o sinal. O professor chega na sala de aula, faz a chamada, pede silêncio, escreve alguns apontados no quadro, faz alguns comentários, passa a atividade de casa, e já se passaram 50 minutos. Toca o sinal. Lá vem outro professor, faz a chamada, pede silêncio, escreve alguns apontamentos… Enfim, quem trabalha em escolas, de qualquer lugar do país, sabe que essa é a rotina diária da maioria dos estudantes das séries terminais, com raras exceções.

Para um jovem de 12, 14 anos, ávidos de curiosidade e energia, passar quatro horas passivelmente sentado, ouvindo o professor falar é um ato de “tortura”. O pior de tudo, é ainda levar o nome de indisciplinado e desatento, como se a culpa fosse dele. E pense, que estamos nos tempos modernos, pois até poucas décadas as cadeiras escolares eram aparafusadas ao chão para facilitar a organização da sala de aula!

Para os professores também é igualmente difícil repetir o mesmo conteúdo, por anos a fio, com o mesmo entusiasmo da primeira vez. Quem atua no ensino público, sabe muito bem do que eu estou falando: turmas numerosas, currículos engessados, professores sobrecarregados, cobranças de todas as partes, turmas muito heterogêneas, indisciplina, falta de recursos, desde o básico como papel até o mais avançado, como internet na escola, por exemplo.

Enfim, o fato é que quanto mais se avança nos anos escolares, mais difícil é manter a motivação. A ciência e a experiência provam que todo ser humano é curioso, principalmente quando crianças ou adolescentes. Se a curiosidade é inata ao jovem porque na escola, parecem tão desmotivados? E o mais importante: Como mudar essa realidade? Como despertar a curiosidade adormecida e mobilizar as energias juvenil para algo produtivo? Como ser criativo e inovador neste contexto?

São perguntas difíceis de responder. Na educação não existe fórmulas prontas nem mágicas. Cada escola, cada professor, cada aluno é singular. Esse é o nosso desafio diário!

Muitos acreditam que a introdução da tecnologia pode de fato revolucionar a sala de aula. De fato, a utilização da tecnologia no ambiente escolar contribui para essa mudança de paradigmas, sobretudo, para o aumento da motivação em aprender, pois as ferramentas de informática exercem um enorme fascínio em nossos alunos. Todavia, o computador não é uma panaceia para todos os problemas educacionais, pelo contrário é um grande aliado, mas sozinha, a tecnologia não é capaz de mudar nada. O grande mentor das revoluções educacionais ainda é o professor.

O laboratório de informática educativa (LIE) é ambiente propício para o nascimento de idéias inovadoras. Até o nome é perfeito: Laboratório. Não é uma sala informatizada, pois qualquer sala assim pode ser, basta equipar com tudo de mais moderno e high tech da atualidade.

Já o laboratório é um local diferente da sala de aula convencional, foi idealizado para pesquisa, para manipulação de dados, experimentação de hipóteses, onde ora acertamos, ora erramos, mas sempre recomeçamos. Um verdadeiro convite a subversão!

Ao implementar projetos de aprendizagem por meio da incorporação das TICs – Tecnologias de Educação e Comunicação, o professor passa a ser um estimulador e facilitador da aprendizagem de seus alunos e estes passam a ser verdadeiros pesquisadores, sujeitos ativos, reflexivos e cidadãos conscientes de seu papel na sociedade, atuantes e participativos.

Trabalhar com projetos é uma forma de ressignificar o espaço de educativo. O aluno sai do papel de figurante para protagonista da própria aprendizagem, participando ativamente do próprio aprendizado, por meio da experimentação, da pesquisa em grupo, do estímulo à dúvida, enfim, o aluno se envolve mais e aprende muito mais do que aprenderia numa situação de simples receptor de informações. Na pedagogia de projetos o aluno é instigado a produzir e acaba por desenvolver a capacidade de selecionar, organizar, priorizar, analisar, sintetizar, tão necessária nos dias atuais.

Dentro desta perspectiva, o professor assume papéis diferenciados na promoção do desenvolvimento e aprendizado dos alunos. Este é ao mesmo tempo propiciador de atividades, situações e recursos que levem o aluno a aprender a aprender, e também mediador no processo ensino-aprendizagem. Deixando de ser mero transmissor de conhecimento, para mediador, levando o aluno a uma atitude positiva frente ao conhecimento, despertando-lhe o interesse e sugerindo-lhe situações que o motivem a aprender.

E o que o software livre tem haver com isso? O software livre tem uma grande parcela de culpa nesta revolução. Primeiro, porque oferece uma gama de softwares nas mais diversas áreas de atuação, que podem ser livremente, baixados, copiados, replicados, alterados e adequados a dinâmica escolar.

Assim, é possível construir novas civilizações, viajar no cosmos, desvendar os mistérios da ciência, aprender novas formas de se comunicar, vivenciar o inusitado, enfim, como dizia a abertura de uma famosa série ficcional “audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve…”Como diria o Dr. Spock: Vida longa e próspera ao software livre!

Ao adotar o software livre no contexto educativo, contribuímos para a democratização do saber, diminuindo o grande fosso da exclusão digital. Deixamos de ser reféns da tecnologia proprietária e principalmente da dependência hegemônica americana, nos libertando dos grandes monopólios.

Poderia passar horas a fio, explicitando as razões porque adotar o software livre na escola, mas vamos logo ao que interessa.

Um dos projetos desenvolvidos que vem contribuindo para resignificar a aprendizagem chama-se Minha Escola, Minha vida. Idealizado inicialmente pela professora Liduina Vidal (Fortaleza-CE), depois adaptado pela professora Sinara Duarte. Por descrever uma experiência educacional que tem como eixo estruturante a inclusão digital, faz-se necessário abordar o contexto sócio-político onde o mesmo foi realizada.

O referido projeto foi realizado em uma escola pública educativa localizada em um bairro periférico da capital cearense marcado por graves problemas sociais como: altos índices de prostituição, consumo de drogas, violência doméstica e acidentes de trânsito aliada a baixa escolaridade da sua população de forma geral.

O principal objetivo foi sensibilizar jovens em alta situação de vulnerabilidade social acerca de sua importância enquanto sujeito histórico-social e da escola como partícipe deste processo através do uso das TICs em uma plataforma livre. A intensão é que os jovens concludentes do ensino fundamental, pudessem produzir material midiático, utilizando as ferramentas livres, e principalmente valorizasse o ambiente escolar, dando continuidade a sua escolarização. Muitos questionavam: “Estudar para que? Se nada vai mudar na minha vida”, ou “eu não tenho sonhos.” É triste constatar que pessoas tão jovens possam acreditar que não possuem chances de modificar sua realidade ou mesmo que se tornem dependentes da ideologia dominante.

Diante desta problemática, surgiu o projeto Minha Escola, Minha Vida que tem como premissa básica: a liberdade de produzir o conhecimento. O referido projeto foi desenvolvido em seis etapas: planejamento coletivo, pesquisa textual, sessão de fotos, edição e produção, oficinas e divulgação.

A primeira etapa envolveu o planejamento coletivo do trabalho. Os alunos concludentes do ensino fundamental, juntos com a professora do LIE e de Literatura, planejaram o formato do projeto que deveria a ser desenvolvido dentro dos recursos disponíveis. Como a escola não dispunha de uma filmadora nem similar, foi acordado uma apresentação (audiovisual) em formato de slides (fotos e textos usando o Br-Office). Cada aluno teria dois slides para falar de suas experiências, enquanto sujeito histórico-social e sua relação com o ambiente escolar, sendo que ao final, seria produzido um photobook com todas as apresentações em formato de álbum virtual coletivo.

A segunda etapa foi de pesquisa e produção textual. Os alunos foram motivados a pesquisar sobre sua vida acadêmica e a função social da escola, por meio de entrevistas com os pais e funcionários da escola, produzindo textos acerca destas temáticas.

A terceira etapa foi a sessão de fotos. Para ilustrar o photobook, optou-se por fotografar individualmente todos os formandos do 9º ano, funcionários da escola (corpo gestor, administrativo, apoio e docente) além dos fatos considerados mais relevantes dentro da trajetória escolar.

A quarta etapa foi a edição e elaboração da mídia (photobook). Depois de criados os slides no BrOffice Impress, os alunos foram desafiados a criar e editar um projeto audiovisual utilizando as ferramentas livres, de forma que possibilitasse a gravação em formato de DVD/VCD. Ressalta-se que a escolha do tipo de mídia levou em consideração o fato de que todos os alunos possuíam aparelho de DVD e que havia interesse da maioria, em apresentar sua produção para os familiares, portanto seria a forma mais acessível e democrática de divulgação, enquanto que poucos tinham acesso a computadores conectados a rede mundial de computadores. Mesmo assim, ficou acordado que a produção também seria colocada na Web, por meio do blog pessoal da professora Sinara Duarte.

Os principais recursos utilizados foram máquina fotográfica digital, computador com Sistema Operacional Linux Kurumin (versão 7.0) instalado e acesso a Internet, CDs virgem, televisão e aparelho de DVD. Para criação, edição e ilustração do vídeo utilizaram-se as seguintes ferramentas computacionais livres: BrOffice Writer (editor de texto) BrOffice Impress (confecção de slides), Kdenlive (edição de video), KolorPaint (Desenho), Gimp (editor de foto), Mozilla-Firefox (software de navegação na Web), fotos do arquivo particular da escola e dos alunos.

A quinta etapa foi a participação em oficinas de Inclusão Sócio-Digital. Portanto, paralelo a produção do photobook, os alunos também participaram de oficinas de informática básica, visando o domínio das ferramentas tecnológicas. Ressalta-se que foi utilizado, exclusivamente o software livre, nas oficinas práticas.

A sexta e última etapa foi a culminância do projeto e ocorreu na solenidade de formatura do término do curso do ensino fundamental, no qual houve a exposição da produção coletiva (DVD) para a comunidade escolar. Ao final, cada aluno foi presenteado com uma mídia com o resultado do trabalho.

A experiência foi desenvolvida no Laboratório de Informática Educativa – LIE da referida escola, no contra-turno escolar no período de dezembro de 2007 a fevereiro de 2008, totalizando cerca de 80 horas e atendeu cerca de 57 adolescentes. Durante este período, percebeu-se a dicotomia existente entre os que já possuíam algum conhecimento de informática e os que não possuíam nenhum conhecimento. Os primeiros conseguiam concluir rapidamente suas atividades, porém permaneciam no LIE, ajudando os colegas, exercendo sua solidariedade e cooperação, características inatas do movimento do software livre.

Geralmente os que sentiam mais dificuldade preferiam o contato com os colegas, do que a mediação docente. Outros tiveram mais preocupação com o layout, dedicando muito tempo a decoração dos slides. A escolha das imagens e gifs refletiam de certa forma a vivência e história sócio-cultural dos educandos, por isso era recorrente imagens de personagens de histórias em quadrinhos, heróis de filmes de ação, bandeiras e símbolos de times nacionais, atores e cantores nacionais e internacionais.

Apesar da aparente “desorganização”, os alunos conseguiram dentro das limitações temporais e espaciais desenvolver autonomia na criação da multimídia. A intervenção dos professores só ocorria quando alguma dispersão atrapalhava o grupo de forma generalizada de forma a impossibilitar a feitura das atividades propostas. Os alunos também foram instruídos de que as atividades propostas não valeriam pontos, nem qualquer complemento na média bimestral de cada aluno e que seria uma nova forma de construir o conhecimento, visto que seriam desafiados a construir algo novo de forma coletiva (multimídia), que posteriormente também seria compartilhada com a comunidade escolar. Desta forma, a avaliação foi contínua e formativa, ocorrendo durante o desenvolvimento de todas as etapas do projeto. O objetivo maior não era controlar ou qualificar os estudantes, mas ajudá-los a progredirem na busca do conhecimento. Assim,foi privilegiada a abordagem sócio-interacionista na qual cada participante foi sujeito de sua própria aprendizagem, destacando-se o “aprender fazer fazendo”, estimulando-se a aprendizagem cooperativa e colaborativa.

O professor do LIE desempenhou a função de mediador do conhecimento, criando situações problemas para que o aluno pudesse desenvolver suas potencialidades e construir sua autonomia na construção do conhecimento e no manuseio dos softwares livres.

Os resultados encontrados foram acima das expectativas. Os alunos outrora, considerados desmotivados e desinteressados, mostraram-se bastante motivados e engajados em construir algo único. De fato, organizar e implantar abordagens educacionais que vão ao encontro das necessidades dos educandos, desenvolvendo estratégias de ensino centradas no aprendiz, enfatizando a autonomia, acomodando a diversidade e maximizando as oportunidades para o sucesso e as conquistas pessoais é condição sine qua non do professor na contemporaneidade.

O fazer docente por meio da adoção da tecnologia no ambiente educacional, capacita os professores a um novo agir no ensino, tornando o processo educativo mais dinâmico e atraente. Incluir não deve ser apenas uma simples ação de formação técnica dos aplicativos, como acontece na maioria dos projetos, mas um trabalho de desenvolvimento das habilidades cognitivas, transformando informação em conhecimento, transformando utilização em apropriação. A reflexão crítica da sociedade deverá gerar práticas criativas de recusa de todas as formas de exclusão social.

Por meio de projetos como este, o aluno é preparado não apenas para ser usuário de ferramentas tecnológicas, mas também para ser capaz de criar, resolver problemas e usar os vários tipos de tecnologias existentes de forma racional, eficiente e significativa. Não se trata do professor ensinar tecnologia, mas de utilizar o recurso tecnológico como fator de motivação para, a partir do interesse, levando o aluno à construção do seu próprio conhecimento.

Essa é a essência do software livre: a possibilidade seu potencial transformador, visto que envolve a participação coletiva e a emancipação dos seres humanos. A aparente fragilidade das pequenas iniciativas, como esta têm indicado a viabilidade da inclusão digital nas escolas brasileiras, o que reforça o discurso de que a implementação de uma escola de qualidade, que é igualitária, justa e acolhedora para todos, não é um sonho impossível.

Read Full Post »

Vejam, o artigo publicado na Revista A rede nº50, agosto de 2009, que fala um pouco do SL educacional, grupo no qual faço parte.

Digite software livre, na busca por Educação:Com os programas de código aberto, professores e alunos aprendem mais e melhor.

Por Áurea Lopes

Estão postos, hoje, dois grandes desafios para o efetivo avanço da Educação básica no Brasil. O primeiro é quebrar a resistência de muitos professores – a maioria vinda de faculdades onde pedagogia não rima com tecnologia – em aceitar os computadores como seus assistentes na missão de formar cidadãos autônomos. O segundo é mostrar, aos professores já dotados dessa compreensão, que existe vida inteligente além do Windows.

A rejeição – medo? – ao computador vai sendo vencida, meio na marra, porque os professores não podem mais se negar a viver no mundo dos seus alunos. Ou porque começa a ficar difícil preparar aulas e provas sem uma pesquisa na internet. Mas ainda há muito a ser feito quando se trata do uso do software livre (SL), hoje um  privilégio de poucos. E não porque os programas de código aberto e acesso gratuito sejam produtos inacessíveis ou inviáveis tecnicamente. Ao contrário. Estão à mão, na web, nas máquinas enviadas pelo governo federal às escolas públicas, disponíveis para serem usados, adaptados para qualquer tipo de aplicação educacional. E sem que se gaste um centavo.
O problema é que muita gente não sabe disso. A começar pelos responsáveis por assinar os diplomas dos educadores. Em um levantamento realizado no ano de 2008,  com 23 instituições de ensino superior, em cursos de Pedagogia, Matemática e Letras, pouco mais de 10% dos currículos trazia Informática Educativa como disciplina obrigatória. Os dados, coletados por Sinara Duarte, pesquisadora de novas tecnologias da educação com ênfase em software livre, mostram também que apenas um curso de Matemática abordava SL; e apenas um curso de Letras abordava SL, dentro da disciplina de Fonética. “Muitos docentes se formam sem conhecer o uso pedagógico do computador e muito menos do software livre”, conclui Sinara.

É um absoluta incoerência, na opinião do professor Frederico Gonçalves Guimarães, coordenador do projeto Software Livre Educacional, utilizar um programa proprietário em Educação: “Educar significa preparar para a autonomia. E no mundo proprietário acontece o inverso, o usuário é dependente do dono da tecnologia”. O professor explica que o SL é educativo por essência: “Você pode abrir, mexer, ver como funciona. É um aprendizado, vira um laboratório”.

Outro benefício é que esses programas podem ser alterados e adaptados para as necessidades sempre que necessário, sem o usuário ter de pagar por isso, sem precisar esperar que o dono da tecnologia lance no mercado uma nova versão do produto. Por exemplo: a comunidade responsável pelo pacote de aplicativos de código aberto BrOffice já adaptou o seu corretor de textos às novas regras ortográficas do português, enquanto o Microsoft Word em português não tem prazo para ser atualizado. Guimarães cita ainda o caso da Suécia, país que tem três idiomas, um dos quais de pouca abrangência. “Os programas proprietários só contemplam os dois idiomas principais. Então eles adotaram o Linux e desenvolveram as aplicações no terceiro idioma”, conta o professor.

Além da liberdade de usar, a liberdade de copiar faz muita diferença – e gera significativa economia – nos projetos de âmbito público. Na cidade de Passo Fundo (RS), a distribuição Linux Kelix – Kit Escola Livre foi instaladas nas escolas da rede municipal. Marinez Severis, coordenadora de Informática Educativa e do Plano de Desenvolvimento Escola, da secretaria municipal de Educação, conta que a primeira reação dos professores foi de má vontade. “Eles estavam acostumados com o Windows. Mas depois que conheceram a ferramenta livre, adoraram. Porque era possível fazer muitas coisas, além da facilidade de copiar os programas, levar pra casa, instalar onde fosse. Acabou aquela amarra de ter que comprar uma licença para cada máquina ou a situação constrangedora de piratear”, diz Marinez.

“Para que o software livre se difunda no ambiente escolar, falta apenas aculturação”, alerta Peterson Danda, consultor em SL e especialista em implantação do Linux Educacional. Ele compara: “Mudar  do programa proprietário para o livre não é nada diferente de mudar do Windows XP para o Vista. É tudo diferente, mas você aprende. E quem começa já no SL não tem mais dificuldade do que quem começa em proprietário”.

Uma vez ultrapassada a barreira do desconhecimento, os resultados são animadores. A professora de matemática Lilian Ribeiro leciona na escola estadual Luciana de Abreu, em Porto Alegre (RS), que participa do projeto federal Um Computador por Aluno (UCA). Em 2007, a escola não tinha sequer laboratório de informática. Em 2008, chegou o notebook XO, onde estava instalado o programa Etoys, livre e gratuito (disponível no site http://www.squeakland. org), que estimula o raciocínio lógico e a criatividade.

“Eu nunca tinha mexido em um computador. Muitos alunos nunca tinham visto um computador. Aprendemos todos juntos”, lembra a professora, que usa o Etoys para alunos desde a 2ª série do Fundamental. “As crianças têm dificuldade de fazer abstrações. O software me encantou pela possibilidade de trabalhar os conceitos abstratos”, acrescenta. Lilian revela, orgulhosa, que, depois da chegada dos computadores à escola, alunos de 3ª e 4ª séries do Fundamental passaram a se interessar por SL a ponto de participar, nos dois últimos anos, dos fóruns especializados realizados em Porto Alegre.

Nem tudo são flores
No Brasil, um entrave sério à disseminação do software livre educacional é a questão do idioma. Existem milhares de aplicativos na web, mas poucos em português. Com essa preocupação, um grupo de educadores criou, em 2008, o projeto Software Livre Educacional, que funciona por meio de uma rede social aberta. O professor Guimarães explica que a proposta é organizar documentação e fazer tradução de SL, devolvendo o conteúdo como um valor agregado para o desenvolvedor: “Assim ele pode incorporar ao pacote e todo mundo será beneficiado”.

Dentro do projeto, foi traduzido o programa GCompris, que tem mais de cem aplicativos disciplinares, de caráter predominantemente lúdico. Ou seja, bastante adequado para uso na educação básica. “Nosso trabalho não é ensinar como usar o programa, qual tecla deve ser apertada. Mas sim ensinar o que o professor pode fazer com o Gcompris dentro da classe”, esclarece Guimarães. Em parceria o projeto Texto Livre, que dá suporte linguístico a comunidades de SL, foi feita, no ano passado, a tradução do Tuxpaint, programa para trabalho com imagens. “Fizemos a tradução dos carimbos para o português e ainda gravamos vozes de crianças brasileiras”, conta Daniervelin Renata Marques Pereira, coordenadora do Texto Livre, integrado por alunos do curso de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais.

A pesquisadora Sinara Duarte reconhece que cresceu o interesse das comunidades de programadores sobre SL – um exemplo disso são as distribuições Edubuntu, Kelix, Pandorga, Ekaaty, entre outros, todos já traduzidos. No entanto, ela fez uma pesquisa no banco de dados Scielo (www.scielo. org), biblioteca virtual que abrange periódicos científicos, e verificou que, entre os mais de 220 mil artigos catalogados, havia apenas quatro, em português, referindo-se ao uso do software livre na educação. “Temos um longo caminho a trilhar…”, avalia Sinara.

http://sleducaciona l.org
www.textolivre. org

Cooptado ao mundo livre

Um exemplo típico de aculturação ao mundo do software livre é o professor Luiz Carlos Neitzel, integrador de tecnologias do Núcleo de Tecnologia Educacional de Joinville (SC). Ele lecionou Educação Física por 12 anos, sempre com um olho na informática educativa. Em 2004, com a chegada do primeiro Linux Educacional nos equipamentos do ProInfo, ele “foi obrigado” a usar o SL: “Naquela época, não era tão fácil. O Linux ainda dependia de comandos, não era tão amigável”. Em 2008, com a versão 2.0, Neitzel começou a descobrir que podia fazer, no Linux, o mesmo que fazia no Windows.

“Tem aplicativos com recursos até mais estáveis, além de ser mais seguro – o que, em um ambiente escolar, é muito importante porque a garotada vai clicando, sem medo. Aí, se tiver um vírus, simplesmente não abre”. O professor aponta, ainda os pacotes gratuitos de excelente qualidade: “É só baixar. No mundo proprietário, os melhores programas são pagos”, ressalta.


NOVO Linux Educacional

O Ministério da Educação lançou, este ano, a versão 3.0 do sistema operacional Linux Educacional, que vem em todas as máquinas do ProInfo, programa do governo federal para fomentar o uso pedagógico da informática nas escolas públicas. Em ambiente gráfico KDE, a nova versão, mais estável, mais amigável, é baseada na distribuição KUbuntu 8.04. Traz atualizações de pacotes de aplicativos como o Desktop, a EduBar, a Ferramenta de Busca, o Repositório Debian de Conteúdos e o Live-CD. Para fazer o download. É importante ter um programa para gravação do arquivo em um CD como imagem ISO. Pode ser usado, por exemplo, o K3B. Após a gravação, o CD se torna um Live CD. Ou seja, o usuário pode testar o Linux Educacional sem precisar instalar no computador.

http://webeduc. mec.gov.br/ linuxeducacional

fonte: Revista Arede

Quem quiser ler a revista completa acesse aqui:

http://www.arede. inf.br/inclusao/ edicao-atual

Read Full Post »

Para quem é fã de tecnologia, não pode perder de acompanhar pela Record News, aos sababos, o programa Link Brasill, apresentação de Eduardo Ribeiro. Fonte de aprendizado e cultura digital. Neste dia (não lembro qual foi), o tema foi software livre no Brasil, e contou a participação dos professores Sérgio Amadeu e David Kuhn, coordenador do comitê técnico de implementação de SL do governo federal. Apresenta alguns conceitos básicos, como por exemplo: ” a internet é a maior vitrine do software livre”, muito bom.

Read Full Post »

Lançada hoje, a Revista Espírito Livre nº 2. Nesta edição, segundo o editor chefe, João Fernando Costa:

Você encontrará um assunto que rende muito pano pra manga: distribuições leves e com propósitos específicos, trazendo uma novidade: 2 entrevistas, a internacional, com Robert Shingledecker, criador do Damn Small Linux e mais recentemente o Tiny Core, ambas distribuições bem focadas no objetivo de ter uma distribuição leve, funcional e de alta performance em computadores com baixos requisitos de hardware.

A entrevista nacional é com Flávio de Oliveira, responsável pela distribuição GoblinX Linux, uma distro bacana e descolada, que traz um visual bem moderno e igualmente leve. Outras duas matérias acompanham o assunto principal: Um review sobre o Sacix, a distribuição Linux utilizada nos telecentros do Projeto Casa Brasil e uma matéria super interessante sobre o TCOS – Thin Client Operating System, um projeto de porte e que merece toda nossa atenção.

Na parte educativa,  tem uma matéria falando sobre o bicho papão, (A matemática e software livre) e outra falando sobre o Opensource e a academia, que reitera a necessidades das faculdades adotarem o padrão livre.

Muito interessante, também é um cordel falando sobre o linux/gnu… São 89 páginas 🙂 recheadas de novidades,  artigos, colunas, notícias, eventos que ocorreram e os que ainda virão… Vale a pena ler e divulgar, pois o conhecimento é livre e tem asas para voar… Que seu Espírito seja livre, como o meu…

Para ler acesse: Revista Espírito Livre

Read Full Post »

Older Posts »